Convocado para prestar esclarecimentos à Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa de São Paulo, da qual o deputado estadual Antonio Mentor é o vice-presidente, o diretor-superintendente da Concessionária Ecovias - Sistema Imigrantes, José Carlos Cassaniga, afirmou que o engarrafamento ocorrido quinta-feira (15.09), o maior da história da Rodovia dos Imigrantes, foi consequência de "má conduta na direção e excesso de velocidade por parte dos motoristas". A comissão se reuniu extraordinariamente nesta terça-feira para ouvir Cassaniga sobre o acidente que envolveu 103 veículos e deixou 53 vítimas, uma delas fatal.
O representante da Ecovias apresentou relatório sobre as circunstâncias em que ocorreu o engavetamento e disse que todas as medidas de segurança para o trânsito em situação de neblina estavam acionadas. Tais medidas, segundo Cassinaga, consistem em aviso por painéis da rodovia, informações no site da concessionária e boletins para a imprensa. "Não é possível fazer comboio na subida, porque não se pode bloquer a pista com segurança", comentou.
Cassinaga explicou que a Ecovias e a polícia rodoviária preparam-se para a descida por comboio, na interligação entre a Imigrantes e a Anchieta, toda vez que a presença de neblina ou chuva forte limitem a visibilidade a 500 metros de distância. O comboio entra em operação quando a visibilidade cai para menos de 100 metros.
Ele também negou que exista qualquer instrumento de segurança que, comprovadamente, possa substituir a condução defensiva do veículo em situação de neblina. "Há notícias de normas que podem melhorar a segurança, como proibição de ultrapassagem nessas situações, obrigatoriedade de utilização de uma só faixa", disse, informando que a Ecovias irá intensificar ações visando a educação no trânsito. "O motorista deve entender que os painéis não são estão lá para decorar a rodovia", considerou.
Demora na liberação
Questionado sobre o motivo de a concessionária ter demorado 22 horas para liberar a rodovia após o acidente, que ele qualificou como tragédia, Cassinaga justificou que a grande quantidade de veículos de grande porte, a presença de veículos com líquidos perigosos e os trabalhos de limpeza impediram que a liberação fosse antecipada.
Sobre a denúncia de que automóveis avariados teriam sido "depenados", o representante da Ecovias leu para os deputados carta da Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo), em resposta à reclamação de usuário, na qual a agência afirma que a responsabilidade pela retirada da pista de veículos envolvidos em acidente é do Departamento de Estadas de Rodagem (DER).
Diante dessa informação, os deputados resolveram também convidar um representante do DER para prestar informações à comissão.